O que é LSD? Tudo que você precisa saber antes de usar

O que é LSD? Tudo que você precisa saber antes de usar

O LSD é uma das substâncias psicoativas mais conhecidas e utilizadas recreativamente. De certa forma, o LSD está presente nos mais diferentes contextos mas, afinal, o que é LSD?

Para esclarecer melhor o que é a Dietilamida do Ácido Lisérgico, doce, ácido, “#”, papel ou qualquer outro nome que se refira ao LSD, vamos compilar o maior volume possível de informações que podem ser encontradas na internet.

Essa postagem será constantemente revisada e atualizada. As informações aqui citadas possuem referências externas, não deixe de clicar nos links em laranja para aprofundar ainda mais seus conhecimentos.

 

 

O que é LSD?

O LSD é uma das substâncias psicodélicas mais conhecidas e pesquisadas ao redor do mundo. É considerada quase como um ponto de partida na comparação com outras drogas chamadas “psicodélicas”.

Normalmente o LSD (Dietilamida do Ácido Lisérgico) é ministrado em doses extremamente baixas, medidas em microgramas (µg) e fornecidas em papel absorvido, líquido, gel ou por outras vias.

É um líquido sem cheiro, cor ou sabor (quando o sabor é muito amargo pode ser indício de adulteração). Na maioria das vezes o usuário introduz embaixo da língua ou sobre ela um quadrado pequeno feito de papel filtro (mata borrão) embebido na substância.

Esses papéis, chamados popularmente de “blotters”, frequentemente trazem desenhos gravados que representam ao público sua concentração, passando um falso sentido de graduação do efeito conforme o nome ou desenho estampado.

 

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cartela de lsd redução de danos
Foto: Reprodução / Desconhecido

 

O ácido, como é popularmente chamado desde o século passado, é uma droga sintética perturbadora do sistema nervoso central.

É uma droga, geralmente produzida em laboratórios clandestinos, capaz de alterar as percepções, os pensamentos e os sentimentos de quem a utiliza. Ao consumir essa substância, a pessoa pode sentir, ouvir e ver coisas mesmo sem um estímulo tátil, auditivo e visual.

O uso do “doce”, outro nome popular da substância, é frequentemente associado à festas e festivais, sobretudo de música eletrônica. Mas, historicamente, o LSD (assim como o Ecstasy) influenciou e teve participação em diversos movimentos culturais e contraculturais.

 

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Seu uso, supostamente, seria motivado na esperança de fugas repentinas da realidade, visões, alucinações e sensações aumentadas. Por estes motivos seu uso é geralmente observado em ambientes festivos.

Nos últimos 20 anos, uma dose média de LSD tem correspondido a 100 até 150µg (microgramas). A maior parte dos blotters de LSD contém aproximadamente esta dose, embora as variações dependam da fonte, e não seja possível ao utilizador normal determinar a potência sem possuir um teste reagente quantitativo e qualitativo.

Nos anos 60 e 70, quando o LSD apareceu a dose média era um pouco mais alta que a de hoje em dia, normalmente entre os 200 e os 400 ug. Uma gota de líquido pode conter uma quantidade enorme de LSD.

 

Variedades (LSD em Gel)

 

LSD em gel redução de danos
Foto: Reprodução / Autor Desconhecido

 

O LSD apresenta-se em várias formas diferentes. A mais comum é em papel absorvente. Outras formas incluem cápsulas com gel, líquido, e gelatina. Cada forma contém diferentes concentrações de dietilamida do ácido lisérgico, a pureza e contaminação também pode ser questionada.

A forma mais comum de LSD apresenta-se em papel absorvente, conhecido popularmente como papel-mata-borrão ou como “Blotter” na internet. Normalmente dividido em quadradinhos “blotters” de alguns poucos centímetros.

Devido aos diferentes métodos de preparação utilizados, não há maneira de saber a dose exata de determinado blotter sem o experimentar ou sem conhecer o preparador. Os quadradinhos de uma cartela geralmente contém níveis de LSD semelhantes.

Como um blotter é pequeno, somente substâncias extremamente potentes (como o LSD) fazem algum efeito significativo quando impregnadas.

 

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O LSD em gel é preparado misturando LSD líquido com gelatina ou algum tipo de aglutinador. Formam-se pequenas tiras ou quadrados que podem ser consumidas. A vantagem desde método é expor menos quantidade de LSD ao sol e ao ar, os quais destroem a dietilamida do ácido lisérgico.

O LSD em gel tende a ser mais potente em menores quantidades que os blotters de papel.

Vale a pena dar mais atenção ao LSD em Gel ou pastilhas de gel ou gelatina, pois, recentemente, a procura por este formato no consumo recreativo aumentou consideravelmente.

O LSD em gel (LSD Gel Tabs) possui uma característica muito inovadora, sobretudo no consumo recreativo (e ilegal). As pastilhas de LSD em Gel podem conter flavorizantes que promovem sabores diferenciados ao LSD, características antes nunca vista em nenhuma via de consumo.

 

Química e interações

A dietilamida do ácido lisérgico (LSD) é uma substância química derivada dos alcalóides do fungo parasita que ataca o centeio, o esporão do centeio (Claviceps purpurea).

 

claviceps purpurea esporão do centeio
Foto: Claviceps purpurea parasitando planta

 

Como substância química, o LSD é rapidamente eliminado pelo corpo, e mesmo antes da trip terminar já desapareceram a maior parte dos vestígios fisiológicos.

Isto porque que o LSD ativa uma espécie de cascata neuroquímica que desencadeia seus efeitos, sendo rapidamente degradado.

O LSD é sensível ao oxigênio e aos raios UV. Todavia a sua potência pode durar anos se for guardado longe da luz e da umidade, como por exemplo num congelador.

 

 

História

Em 1938, Albert Hofmann, um químico suíço já renomado pesquisava estimulantes sanguíneos nos laboratórios Sandoz Pharmaceutical, em Basel, Suíça.

 

albert hofmann criou LSD
Foto: Reprodução

 

Hofmann, que pesquisava junto a outros químicos da Sandoz os efeitos do ergotismo.

O ergotismo era uma conhecida doença que, na idade média, acometia as pessoas que ingerissem derivados de centeio contaminados por um fundo, o Claviceps purpurea.

O fungo parasita o centeio e outros cereais, produzindo o alcaloide chamado de ergotamina. As atividades neurotrópicas dos alcaloides da cravagem também podem causar alucinações e comportamento irracional, convulsões e mesmo a morte.

A Sandoz pesquisava os efeitos da ergotamina como vasoconstritor, para atuar como medicamento. Assim, acidentalmente, a partir dos alcaloides produzidos pelo fungo, Albert Hofmann sintetizou o LSD-25.

A pesquisa então teria um hiato de 5 anos.

Após esse período, em 1943, acidentalmente Hofmann ingere uma quantidade de LSD-25 e inicia a primeira viagem sob os efeitos do ácido. Esse acontecimento é lembrado até hoje como um marco.

 

Vejamos então um breve resumo:

  • 1938: Albert Hofmann, um químico suíço que trabalha para os laboratórios Sandoz Pharmaceutical, em Basel (Suíça), sintetiza o LSD-25 pela primeira vez ao procurar um estimulante sanguíneo. A pesquisa do LSD não é continuada durante 5 anos.

 

  • 16 Abril, 1943: Albert Hofmann experimenta acidentalmente uma pequena quantidade de LSD pela primeira vez. Esta é a primeira experiência humana com LSD-25 puro. Hofmann relata “um fluxo ininterrupto de imagens fantásticas, formas extraordinárias com jogos de cores intensos e caleidocóspicos“. A experiência durou cerca duas horas.

 

  • 19 Abril, 1943: Albert Hofmann toma intencionalmente LSD (250 ug) pela primeira vez. Este é o primeiro uso intencional de LSD.

 

O grande problema é que naquela época a ergotamina, derivada do fungo que contaminava as plantações e sementes de cereais, era uma substância rara. Historicamente pode-se dizer que era considerada uma praga.

Do ergotismo a perda massiva das plantações locais, as pessoas normalmente faziam de tudo para que o fungo não se proliferasse. No entanto, para a Sandoz continuar suas pesquisas isso deveria ser revertido.

Na época da famosa viagem acidental de Hofmann, em 1943, a situação do acesso à ergotamina e a C. purpurea havia mudado.

Durante a guerra, a Sandoz implantou um sofisticado sistema de produção do fungo, antes considerado praga, em prol de extrair ergotamina e também de sintetizar LSD.

As ambições da empresa em criar um novo medicamento vasoconstritor ainda era válida.

 

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“Eles cultivaram 5.000 mudas de centeio e selecionaram as cinco variedades mais promissoras”, diz Beat Bächi, da Universidade de Berna, que estuda os arquivos de Hofmann e Sandoz em seu próximo livro sobre a Sandoz, a ergotamina e o LSD

Eles cultivaram e selecionaram os esporos mais produtivos do fungo da cravagem do centeio e forneceram suas linhagens especialmente criadas para os produtores de centeio do Emmental.

“A Sandoz manteve um controle extremamente rígido da operação”, segundo Bächi. Muito antes da era moderna das patentes genéticas, os agricultores eram obrigados a assinar contratos que os proibiam de usar o centeio e o ergot da Sandoz para seus próprios fins, ou manter as sementes e os esporos.

 

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O programa de cultivo do fungo para obtenção de ergotamina foi então um sucesso. Em diversos registros da internet é mencionado que existiam campos cobertos de esporos negros, mantidos pela Sandoz para produzir ergotamina.

No ano de 1947, o psiquiatra Werner Stoll, conduziu uma série de auto-experimentos com a substância  para averiguar seu potencial psiquiátrico.

 

 

Os medicamentos a base de LSD

A Sandoz, extremamente animada com o potencial da substância acidentalmente reconhecida, iniciou a produção de alguns medicamentos.

O Delysid, o mais conhecido medicamento a base de dietilamida do ácido lisérgico, ergotamina, ou LSD — importante pontuar que todas essas substâncias envolvidas são precursoras do LSD como conhecemos hoje, principalmente o LSD terapêutico.

 

delysid LSD medicamento sandoz
Foto: Reprodução/Arquivo Sandoz

 

Havia também o Methergine e o Hydergine, drogas relacionadas ao fluxo de sangue em parto e para melhorar a circulação de pessoas idosas. Ao que tudo indica, a Sandoz enxergou o potencial terapêutico da substância.

No entanto, durante muito tempo, os medicamentos da Sandoz ficaram estagnados somente como substância para pesquisa científica, não como produto finalizado.

Em 1960, a empresa adotou a estratégia de fornecer amostras grátis para diversos psiquiatras ao redor do mundo em troca de feedbacks e estudos de caso de seus pacientes. Na verdade, em troca de qualquer informação que pudesse nortear a empresa.

 

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Essa estratégia passou a conflitar diretamente com as políticas de saúde mundial, sobretudo dos EUA. E logo o LSD foi associado à contracultura e expansão da consciência — fatores que a Sandoz não queria que fossem associados ao seu nome.

A gota d’água veio em janeiro de 1963, quando Tim Leary pediu 500g de Delysid da Sandoz, o suficiente para vários milhões de doses.

A Sandoz contatou o FDA para aprovação, mas a licença não foi concedida e eles se recusaram a fornecer o pedido. A patente do LSD expirou no mesmo ano.

Em 1965, a Sandoz interrompeu oficialmente a produção e distribuição, com uma declaração de que o LSD “em algumas partes do mundo” se tornou “uma séria ameaça à saúde pública”.

 

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No entanto, os fazendeiros de cravagem do Emmental já haviam semeado ácido em todo o mundo. À medida que os estoques da Delysid secavam, novos produtores aumentaram a demanda.

Naquele ano, Augustus Owsley Stanley comprou sua primeira tranche de precursores químicos e começou a fabricar LSD para Ken Kesey, os Merry Pranksters e o The Grateful Dead.

A era psicodélica do LSD finalmente havia começado!

 

 

O uso terapêutico do LSD

Introduzida pela Sandoz para diversos usos psiquiátricos, o LSD tornou-se rapidamente um objeto de estudo de extremo interesse.

Todavia, o uso recreativo da droga, motivado pela distribuição quase que global da Sandoz, transformou o LSD numa enorme controvérsia política e instrumento de repressão da chamada contracultura.

Inclusive, o uso recreativo do LSD foi consolidado pela contracultura, a partir de 1965.

Mas antes do caos instaurado sobre o tema, o LSD foi amplamente testado como anestésico (para as mais diversas dores), além de ter sido descoberto que, se ministrado em baixas concentrações, é tão eficaz quando opiáceos tradicionais.

Além disso, o LSD foi investigado como tratamento para a cefaleia em salvas, uma doença rara e extremamente dolorosa. Embora o fenômeno não tenha sido completamente investigado, relatórios de casos desta doença indicam que o LSD e a psilocibina podem reduzir as dores e também interromper o ciclo de ocorrência das cefaleias.

 

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Os tratamentos para a cefaleia em salvas que existem hoje em dia incluem várias ergotaminas (substâncias precursoras da sintetização do LSD), entre outras substâncias químicas, por isso a eficácia do LSD pode ser facilmente deduzida.

Recentemente, os estudos sobre o uso terapêutico do LSD (e também de diversas outras drogas) tem tomado lugar novamente na discussão científica. Entre os poucos estudos autorizados hoje, temos algumas pesquisas sobre a influência do LSD no tratamento da ansiedade.

O pesquisador Peter Gasser, psiquiatra de Soleure, Suíça, encontrou em meados de 2018 resultados promissores no tratamento.

O objetivo da pesquisa, executada com 12 pacientes, era entender como o LSD pode ajudar os pacientes a superar a ansiedade depois de terem sido diagnosticados com câncer em estado avançado.

O estudo, financiado por uma organização californiana, a Associação Multidisciplinar de Estudos Psicodélicos (MAPS, na sigla em inglês), está na segunda fase. Nela, os cientistas querem comprovar a eficácia das substâncias usadas nos testes clínicos.

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Gasser, inclusive, ficou conhecido mundialmente como “o único do mundo médico autorizado legalmente a usar LSD em seus pacientes”.

O Ministério da Saúde do Brasil não reconhece uso médico do LSD25 e proíbe totalmente a produção, comércio e uso do mesmo no território nacional.

A Organização Mundial da Saúde e as Nações Unidas consideram o LSD25 como uma droga proscrita, isto é, proibida.

 

 

O LSD e a CIA

O MKULTRA foi um programa clandestino da CIA nos anos 1950 e 1960, em plena Guerra Fria. O objetivo era ficar à frente da União Soviética nessa técnica promissora, que permitiria novos métodos de interrogatório ou de coerção de agentes.

Durante a trajetória histórica do LSD, a CIA (agência de inteligência americana) demonstrou interesse desde o início. A organização estava interessada em utilizar o LSD como ferramenta de interrogatório, tortura e controle mental.

Vários psiquiatras e psicólogos estavam envolvidos nas pesquisas sobre o LSD, de entre os quais se destacaram os professores de psicologia de Harvard, Timothy Leary e Richard Alpert (este último mais tarde conhecido como Ram Dass).

Estes faziam parte dos profissionais que recebiam amostras de LSD e dos medicamentos baseados nele. Logo se convenceram do potencial do LSD como ferramenta para o desenvolvimento espiritual.

 

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O ano era 1960 e os dois jovens psicólogos promissores em Harvard, Leary e Alpert, começaram a explorar os efeitos das substâncias psicotrópicas na mente humana.

Eles raciocinaram que a psicologia é o estudo da mente, incluindo sua relação com o cérebro, o corpo e o meio ambiente.

A psicologia, eles argumentaram, tem um interesse legítimo em como a cognição, a percepção e a emoção são afetadas por substâncias que alteram a mente. Na época, os possíveis perigos de pesquisar essas substâncias não eram tão conhecidos como nas décadas subsequentes.

As suas pesquisas tornaram-se cada vez mais esotéricas e controversas, alegando ligações entre a experiência com o LSD e o estado de esclarecimento procurado por muitas tradições místicas.

Desacreditados pela falta de rigor científico e falha em observar as diretrizes de pesquisa estabelecidas, Timothy Leary e Richard Alpert foram ambos banidos da academia, mas isso estava longe do fim de suas vidas públicas: os dois se tornaram ícones da droga psicodélica, contracultura e movimento potencial humano.

Leary ficou famoso pelo slogan “Sintonize, ligue, caia fora” e Alpert, sob o nome de Baba Ram Dass, escreveu um livro popular chamado Be Here Now, descrito como um “clássico espiritual moderno”.

 

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Após a saída da academia e o banimento do mundo científico, Leary foi então contactado (alegadamente sem o seu conhecimento) pela CIA, que lhe forneceu grandes quantidades de LSD-25 purificado que ele e Richard Alpert (Ram Dass) distribuíram a uma parcela ainda maior da comunidade.

As suas pesquisas perderam a pretensão científica, e ambos evoluíram como gurus espirituais do movimento de contracultura dos anos 60, tornando o LSD um grande símbolo hippie.

A droga foi proibida nos Estados Unidos em 1967, tanto para pesquisa científica terapêutica como para pesquisa individual ou recreação. Muitos outros países se seguiram rapidamente na proibição.

Desde 1967, o uso cultural recreativo e terapêutico do LSD continuou em muitos países, apoiado pelo mercado negro e pela popular procura da droga. Pesquisas científicas sobre os efeitos do LSD também foram conduzidas esporadicamente, mas quase nunca em seres humanos.

Em 1979 Albert Hofmann publicou o livro “LSD: Minha Criança Problema”, ao qual se seguiram muitos outros livros de outros autores.

 

 

Quais são os efeitos do LSD?

Os efeitos psicotrópicos do uso recreativo do LSD se iniciam de 30 a 90 minutos após a ingestão da substância. Seus efeitos agudos podem perdurar entre 2 e 6 horas, durante esse período o LSD-25 produz alucinações que alteram o conjunto de percepções do usuário.

 

uso do lsd
Foto: Reprodução/Autor Desconhecido

 

O Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID), ligado à UNIFESP, explica que, mesmo sem um estímulo específico ou “gatilho”, o usuário sob efeito do ácido pode alucinar, sentir, ver e ouvir o que não está lá.

 

“As sensações são ‘reais’, provocando dor, prazer, medo, ansiedade e outras. Como exemplo, se uma pessoa ouve o latido de um cão e há mesmo um cão por perto, esta pessoa está normal; mas se ela ouve o latido e não existe nenhum cão nas proximidades, esta pessoa está alucinada, tendo uma alucinação auditiva. Do mesmo modo é possível observar um elefante na sala sem que este realmente exista, ou seja, a pessoa está tendo uma alucinação! o visual.” Segundo o informe do CEBRID.

 

Além desta característica perturbadora do sistema nervoso central, o LSD também possui uma interação extremamente forte com a percepção de tempo, cronologia e espaço do nosso cérebro. São relatados também despersonalização (quando o usuário não se reconhece ou não sabe o que ele é) e modificações extremas das sensações do corpo.

O conceito da famosa Bad Trip, vem daí. De experiências difíceis, que podem ou não envolver risco físico ao usuário mas que, com certeza, envolvem riscos e desordens psicológicas muito grandes. A pessoa pode ter uma grave crise de ansiedade, psicose e distúrbios dissociativos.

 

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Pode ocorrer também, uma mistura de informações sensoriais chamada sinestesia, provocando sensações como ouvir cores, ver sons…

Ou seja, as sensações auditivas se traduzem em imagens e as imagens se traduzem em sons.

As substâncias psicodélicas permitem que o subconsciente – a parte da nossa mente que armazena nossas memórias reprimidas, características, medos e inseguranças – torne-se consciente. O subconsciente contém todos os aspectos que a sociedade nos ensinou a esconder, rejeitar ou suprimir e que acaba por ser visto como ameaçadores ou indesejáveis dentro da cultura padrão. Não é de  se  admirar que quando confrontados com essas partes de nós mesmos possamos experimentar medo ou desafio.

Pra isso, existem métodos para evitar a Bad e também para acolher pessoas que estão passando por momentos difíceis sob os efeitos de alguma droga. No Brasil são conhecidos os Coletivos de Redução de Danos.

 

 

Quais são os perigos do LSD?

Uma trip de LSD pode ter efeitos psicoemocionais de longa duração ou mesmo permanentes, negativos e positivos.

As experiências com LSD podem variar entre indescritivelmente estáticas a extraordinariamente difíceis; muitas experiências difíceis (ou “Bad trips”) resultam do pânico que a pessoa sente ao achar que foi permanentemente afastada da realidade ou do seu ego.

Se a pessoa está num ambiente hostil ou de qualquer modo perturbante, ou não está mentalmente preparada para as poderosas distorções na percepção e no pensamento que a droga causa, os efeitos têm mais tendência a serem desagradáveis.

Os perigos são, em sua maioria, psicológicos e não físicos, mas ainda sim exige atenção e cuidados. O LSD pode despertar psicoses latentes ou exacerbar depressões, originando comportamentos irracionais.

 

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Pode também causar comportamentos descuidados, como por exemplo, a falsa sensação de distância ou proximidade, que pode ser facilmente um fator perigoso.

A tolerância aumenta rapidamente com o LSD. A mesma quantidade no dia seguinte dá um efeito notavelmente mais fraco. Isto desaparece após três dias a uma semana. Existe também alguma tolerância-cruzada com cogumelos psilocibínicos.

É sabido culturalmente que o LSD não é uma droga que potencialmente torna seus usuários dependentes ou viciados. Isso é corroborado novamente pelas informações do CEBRID:

 

“O LSD25 não leva comumente a estados de dependência visto que não produz comportamentos compulsivos para sua obtenção. No entanto, para certas pessoas, os efeitos do LSD25 podem ser considerados como uma “experiência positiva” ou algo “místico” e estas pessoas podem se apresentar dependentes, isto é não mais conseguem viver sem a droga.”

 

O uso exagerado do LSD também pode ocorrer devido à exposição prolongada e tolerância, onde o usuário vai aumentar cada vez mais a dose para conseguir os mesmos efeitos.

 

 

Redução de danos (cuidado com contaminações)

 

Quando falamos sobre redução de danos, muitas vezes o conceito não é claro para todas as pessoas. Sejam leigos, conservadores ou usuários de drogas não familiarizados com o termo, na maioria das vezes a redução de danos é associada à apologia e até mesmo vista como atividade ilegal.

Entretanto, inaugurando a proposta a qual este site se dedica, a Redução de Danos tem um papel fundamental em nossa sociedade atual. Seja como modelo informativo para orientar pessoas que usam drogas ou como método de acolhimento para pessoas dependentes ou com experiências ruins (Bad trips).

A Redução de Danos com LSD se resume basicamente à instrução, visto que sua via de ingestão não é fisiologicamente prejudicial ao usuário. No entanto, existem algumas características que o usuário deve se atentar antes de decidir se vai consumir a droga.

A procedência dos blotters de LSD bem como a possível adulteração da droga, infelizmente, representam um fator extremamente complicado de se averiguar no cotidiano do uso.

Devido à política brasileira de Guerra às Drogas e falta de informação e regulamentação, o mercado paralelo do tráfico fornece, muitas vezes, produtos extremamente contaminados e adulterados.

 

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No caso do LSD, já é popular sua principal adulteração, o Nbome. Traficantes no intuito de baratear, facilitar manuseio e, as vezes, por falta de informação propriamente ditas, contaminam ou substituem o LSD por Nbome.

Num cenário como esse é possível realizar testes reagentes para averiguar se a droga tem ou não LSD-25 em sua composição. Alguns testes inclusive demonstram quais são os outros possíveis contaminantes. Aqui no estado de São Paulo, atuamos com reagentes em festivais no Coletivo Mentalis.

 

teste reagente LSD coletivo mentalis
Foto: Teste Reagente indicando predominância de LSD na amostra. Cedido pelo Coletivo Mentalis em atuação no Maori Festival.

 

Existem ao menos 11 tipos de NBOMe. Todas são variantes de uma substância chamada feniletilamina, que é uma substância com efeitos parecidos com o LSD, porém muito mais prejudiciais.

Muitas vezes o NBOMe é comprado e consumido inadvertidamente por usuários que acham que estão tomando LSD. Isso porque, como a droga é mais barata, a margem de lucro do traficante é maior.

Uma série de estudos de caso concluem que o NBOMe apresenta riscos significativamente maiores de intoxicação severa, hipotermia, amnésia, acidose metabólica e convulsões que podem resultar em morte.

Usuários também relatam diferenças de paladar: enquanto o LSD puro não deve ter gosto acentuado, o NBOMe é extremamente amargo.

 

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Biólogo, Fotógrafo, Editor-Chefe no Portalmundo.com.br e fundador do Redução de Danos Brasil.

Hugo Pitta

Hugo Pitta

Biólogo, Fotógrafo, Editor-Chefe no Portalmundo.com.br e fundador do Redução de Danos Brasil.

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