Medicina Psicodélica: Saúde mental e psicoterapia assistida com psicodélicos

Medicina Psicodélica: Saúde mental e psicoterapia assistida com psicodélicos

O termo psicodélico, traduzido como “manifestação da mente” foi introduzido pelo psiquiatra Humphry Osmond um pioneiro da pesquisa com LSD nos Estados Unidos, que começou a trabalhar com a mescalina (molécula presente no cacto Peiote e San Pedro), a partir daí foi desenvolvida a chamada Medicina Psicodélica.

 

Ilustração de capa: Jeremy Leung

A origem do termo “Psicodélico” e da Medicina Psicodélica

Há evidências arqueológicas e antropológicas de que o uso ritual do peiote é anterior a origem da linguagem escrita. Osmond começou a trabalhar com a mescalina e logo em seguida veio o LSD, molécula semissintética, descoberta por Albert Hoffman, químico que trabalhava na indústria farmacêutica Sandoz. 

Adous Huxley, escritor inglês, escritor das obras “Admirável mundo novo”, “As portas da percepção” – este escrito após tomar mescalina, lembrando que o mesmo demorou cerca de um mês para escrever o relato – ouviu falar das pesquisas que estavam sendo realizadas, e teve interesse em se voluntariar para ter uma experiência com a mescalina, que foi propiciada pelo psiquiatra que estava conduzindo os estudos na época.

 

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Osmond ofereceu a mescalina dentro de um copo da água, acompanhado Huxley em sua viagem que durou horas. 

Chegaram na conclusão de que os termos cunhados para classificar substâncias não conseguiam acomodar esses achados, pois elas não podiam ser descritas como estimulantes, nem depressoras.

Huxley propôs basear-se no grego para chamar as substâncias como algo que manifestava a alma, do grego cunhou o termo phanerothyme, juntando as palavras phaneroin e thymos. Assim, substituiu por psychodelics, psych com a origem de mente/alma e delos significa manifestar. 

Houveram diversas tentativas de descrever as substâncias na história da psiquiatria. Termos como “psicotomimético” foram usados, mas fazia relação com “psicose”.

Relacionando psicotomimético a ter uma experiência ruim, e as pessoas que estavam sujeitas aos estudos com psicodélicos relatavam ter experiências mais eufóricas e agradáveis, mesmo pudessem em alguns momentos apresentar alguma experiência considerada desorientadora. Fora que em distúrbios psicóticos, alucinações auditivas estão presentes nos pacientes, porém nos estudos com psicodélicos era clara as descrições sob efeitos visuais, e não auditivos. 

 

A história da Medicina Psicodélica e protagonismo na ciência

Estudos estão sendo feitos, cada vez mais frequentemente no intuito de mostrar como os psicodélicos agem nas ramificações dos neurônios. Mostrando que eles estimulam a atividade cerebral e a ramificação dos neurônios, criando mais prolongamentos, ao contrário do que o proibicionismo prega.

Técnicas de neuroimagem são utilizadas, e várias regiões do cérebro são afetadas pelas substâncias.

Até a proibição nos anos 60, mais de 1000 estudos científicos foram publicados só da substância LSD, sendo usado por terapeutas e médicos para tratar todo o tipo de condição. O uso era legal, e a indústria Sandoz era quem fornecia a substância como instrumento de pesquisa, a chamada medicina psicodélica nascia.

 

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A indicação e orientação era de que os profissionais fizessem o uso das substâncias antes de administrarem aos pacientes, pois assim, poderiam aprofundar o conhecimento sob a mente humana, além da possibilidade de se tornarem mais humanizados após a experiência, com uma abordagem mais empática. Fora que a experiência com a substância requeria uma preparação por completa do paciente, pois o mesmo estaria entrando em uma experiência com o desconhecido, além da importância da seleção dos pacientes. 

Stanislav Grof, psiquiatra checo chama o período da década de 55 até 65 de “Era de Ouro” por tudo que a psiquiatria conseguiu atingir com os estudos com psicodélicos. 

Qualquer substância para ser psicoativa, deve-se ligar em neurônios (células cerebrais), que secretam uma série de moléculas que são os neurotransmissores. Se a substância não se ligar em qualquer receptor, ela não faz nada no cérebro. 

Quando uma pessoa faz o uso de substâncias psicodélicas, como o LSD, Ayahuasca, dentre outros. A substância entra em contato com a corrente sanguínea, chegando no cérebro e ativando os receptores, o mais importante deles é o 5HT2-A, referente a serotonina. 

 

Riscos e perigos

As substâncias psicodélicas não matam neurônios e nem são toxicas para o cérebro. Em comparação com o álcool, os psicodélicos são mais seguros em questão de toxicidade, porém nenhuma substância pode ser avaliada apenas em questão de toxicidade, existem diversos outros fatores a serem pensados. 

No caso do LSD, “estados psíquicos extraordinários produzidos experimentalmente pelo LSD em objetos saudáveis de pesquisa são semelhante a muitas manifestações de certas perturbações mentais” –  “LSD, Minha Criança Problema“. 

Faz parte das estratégias de Redução de Danos prezar e analisar estes possíveis riscos, seja diante de um viés terapêutico ou recreativo. Todo usuário ou voluntário de estudos que utilizam drogas psicodélicas devem se informar prontamente sobre os riscos e possíveis efeitos colaterais.

 

Para saber mais sobre o assunto, recomendamos a palestra gratuita ministrada pelo Instituto Phaneros.

 

 

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Bibliografia:

Neural correlates of the LSD experience revealed by multimodal neuroimaging

Saúde Mental | Instituto Phaneros Masterclass 2021

 

 

Estudante de Psicologia e agente de Redução de Danos no Coletivo Mentalis

Pamela Gewarovsky

Pamela Gewarovsky

Estudante de Psicologia e agente de Redução de Danos no Coletivo Mentalis

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