MDMA no tratamento de estresse pós-traumático (TEPT)

MDMA no tratamento de estresse pós-traumático (TEPT)

*Imagem de capa: Pílulas de MDMA/Erowid, 2007.

 

O MAPS (Mutidisciplinary Association for Psychedelics Studies) trabalha com MDMA há anos, e já possui um estudo publicado para o tratamento do Transtorno do Estresse Pós-Traumático, com MDMA.

O Transtorno de Estresse Pós-Traumático está frequentemente relacionado com alguma exposição à um trauma, como violência extrema e abusiva, tiroteio, guerra, sequestros, acidentes, abuso sexual.

Muitas pessoas podem não desenvolver o transtorno quando expostas a situações desse tipo, mas outras podem evoluir para quadros críticos.

“Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) constitui-se de lembranças recorrentes intrusivas de um evento traumático opressivo; as lembranças duram > 1 mês e começam em até 6 meses depois do evento. A fisiopatologia do transtorno não é completamente compreendida. Os sinais e sintomas também incluem evitar estímulos associados com eventos traumáticos, pesadelos e flashbacks. O diagnóstico baseia-se na história.”

Os tratamentos disponíveis atualmente não demonstram uma eficiência animadora. O estudo com MDMA para TEPT teve aprovação do governo para ser conduzido no Brasil.

 

Leia também:

 

 

 

Devemos lembrar que o MDMA não é o que popularmente é conhecido como ecstasy, pois o ecstasy é a substância mais contaminada e adulterada, conseguimos ver testagem de substâncias no site Drugsdata e encontrar quais os adulterantes que foram encontrados nos comprimidos de ecstasy.

Com doses puras de MDMA pessoas podem vir a óbito, pois toda droga tem uma faixa de dose, onde as mais altas apresentam efeitos adversos.

O uso contínuo de qualquer droga maximiza os danos, mas no caso do MDMA, não tem como saber com precisão, pois quem faz o uso da substância, pode não saber o que realmente está usando, se é MDMA puro ou contaminado. Sabe-se que os pacientes durante os estudos em ambiente controlado não apresentam muitos efeitos colaterais.

 

pastilhas mdma

Foto: Science Mag

 

Nos Estados Unidos existe a FDA (Food and Drug Administration), (como se fosse a Anvisa, só que dos Estados Unidos) todo tipo de alimento e substância não entra no mercado sem passar por pesquisas que são escalonadas em etapas pela FDA.

Ela concorda com os estudos que estão sendo feitos com o MDMA para pacientes que possuem o Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT), assim, o MDMA conseguiu chegar na fase 3 de pesquisas, é a última fase antes de chegar no mercado.

Nós como seres humanos, bloqueamos diversos processos emocionais, como traumas e conteúdo da primeira infância. Apesar de trabalhar o MDMA relacionado com o TEPT, não quer dizer que esses pacientes possuam algo especifico no cérebro que o MDMA possa vir a corrigir, mas esta é uma condição da indústria farmacêutica para que o produto seja regulamentado, com transtorno, substância e protocolos específicos.

 

Como funciona a terapia com MDMA

O uso do MDMA não vem com a proposta da substância ser vendida em farmácias. O estudo envolve uma sequência de etapas e seleção de pacientes, pois como toda droga, existe um grupo de risco para o uso dela.

Pessoas com histórico de surto psicótico ou esquizofrenia na família e com diagnóstico para o transtorno, não podem ser submetidos ao estudo e nem ao tratamento.

Para o tratamento com MDMA, é feita uma triagem que consiste em incluir tanto exames psiquiátricos quanto clínicos. Os pacientes passam por um programa de 3-4 meses de psicoterapia semanal, com 15 consultas.

Após isso, se iniciam os ciclos de psicoterapia que incluem as sessões sem o uso de MDMA e com o uso da substância que são intercalados, a psicoterapia ocorre com 2 terapeutas, geralmente um homem e uma mulher, pois uma sessão com substância psicodélica é muito longa e não termina em menos de 5 ou 6h.

É exigir muito de um profissional para que ele se mantenha até o final da sessão, com a presença de dois profissionais, os mesmos podem alternar.

No caso do MDMA, ele é chamado de short accting, que tem durabilidade de 4-6h. As 3 primeiras sessões são preparatórias, onde o paciente conversa 90 minutos com o terapeuta em cada sessão sem o uso da substância.

Após as três sessões, vem a primeira sessão com o MDMA, com uma dosagem baixa de 75 miligramas que dura o dia inteiro, e o paciente é supervisionado pelos terapeutas, sendo encorajado a ficar introspectivo, mas o mesmo pode ouvir música e permanecer vendado (são fornecidos na sessão).

Após o uso, o paciente passa por sessões integrativas, mais uma vez sem o uso da substância para conversas sobre questões da vida, sobre os traumas. A segunda sessão com o uso da substância é proporcionada para o paciente que tem a possibilidade de escolha de optar por continuar com a dosagem de 75mg ou de aumentar a dose, com efeitos mais intensos e prolongados. E assim, por diante.

Na imagem, podemos verificar que a medida de um paciente com TEPT, de 90 caiu para 61 após o tratamento.

tratamento estresse pós-traumático mdma

 

 

A importância da presença dos terapeutas

O MDMA vai fundo no trauma de cada indivíduo. Nas sessões de terapia é ensinado que ao invés de reprimirmos diversos sentimentos, emoções, nós devemos expor o que estamos sentindo, ensinando que o que acontece é o oposto de reprimir.

Mostrando que é transformador se conectar com o trauma, transformando memórias que são tristes, não deixando mais que elas continuem perseguindo a pessoa, ressignificando todo esse sentimento diante do trauma.

  1. A esquizofrenia caracteriza-se por psicose (perda do contato com a realidade), alucinações (percepções falsas), delírios (crenças falsas), discurso e comportamento desorganizados, embotamento afetivo (variação emocional restrita), déficits cognitivos (comprometimento do raciocínio e da solução de problemas) e disfunção ocupacional e social. A causa é desconhecida, porém, há fortes evidências de algum componente genético e ambiental. Os sintomas geralmente começam na adolescência ou no início da idade adulta. Um ou mais episódios de sintomas devem durar, no ≥ 6 meses antes que o diagnóstico seja feito. O tratamento é feito com fármacos, terapia cognitiva e reabilitação psicossocial. A detecção e o diagnóstico precoces melhoram o funcionamento em longo prazo. – DSM-V

 

O Redução de Danos Brasil é um site que preza por compartilhar informação de qualidade, baseado na ciência, para munir o leitor de informação. Não fazemos apologia ao uso de quaisquer drogas, nosso intuito é informar e dar voz aos temas tidos como “marginais” pela grande mídia.

 

Quer receber semanalmente mais informações sobre drogas e avanços na ciência, de uma maneira direta e sem achismos? Cadastre-se aqui.

 

 

Estudante de Psicologia e agente de Redução de Danos no Coletivo Mentalis

Pamela Gewarovsky

Pamela Gewarovsky

Estudante de Psicologia e agente de Redução de Danos no Coletivo Mentalis

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.